Desfile de mísseis balísticos iranianos. Fonte: AFP
Republicamos aqui o importante matéria da redação da Revista Revolução Cultural sobre a agressão imperialista por parte dos ianques e sionistas que está atualmente ocorrendo no Irã.
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No dia 22 de junho de 1941 a Alemanha nazista iniciou sua invasão aos territórios da União Soviética. Inebriado pela vitória das suas guerras-relâmpago na Europa Ocidental e na África –devidas, em grande medida, à capitulação das chamadas “democracias” anglo-francesas durante a década anterior –, Hitler ignorou os apelos de vários dos seus generais no sentido de não abrir uma frente a Leste, sem ter chegado a um acordo mínimo com a Inglaterra (e, por extensão, Estados Unidos) a Oeste. Crendo na superioridade racial do povo ariano, e na sub-humanidade dos eslavos, o chefe do III Reich pensava ser possível derrubar em poucas semanas o Poder Soviético, em parte, devido à densa propaganda anticomunista que soprava do mesmo Ocidente acerca da suposta insatisfação dos cidadãos da URSS com o regime socialista. Baseado em grande supremacia bélica, e no fato de que toda a indústria da Europa ocupada trabalhava para a Alemanha, Hitler conseguiu significativas vitórias iniciais e impôs pesadas perdas ao Exército Vermelho, chegando suas tropas até às portas de Moscou. Contudo, amplamente mobilizadas pelo Partido Bolchevique, a totalidade das massas soviéticas e os combatentes se uniram sob a consigna “Pela Pátria, por Stalin!”, defenderam seu território palmo por palmo e terminaram a campanha, quatro anos e milhões de vidas depois, em Berlim. A Operação Barbarossa marcou, com efeito, o início do fim do nazi-fascismo clássico.
Temos muitas razões para imaginar que, no futuro, a Operação Fúria Épica, desatada por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã no último sábado, 28 de fevereiro, que resultou no assassinato do líder xiita Ali Khamenei, será lembrada, a despeito da dor e sofrimento que já inflige aos 90 milhões de iranianos, como o início do fim da hegemonia geopolítica do imperialismo estadunidense e de seu vassalo sionista.
Com efeito, se devemos atentar para os aspectos materiais –de que falaremos adiante –, é preciso advertir que a guerra é igualmente feita pelos seres humanos e suas ideologias. Trump e Netanyahu, como Hitler, creem-se membros de uma elite racialmente superior aos persas, aos árabes e aos povos que não são originariamente europeus de maneira geral. Trump, como Hitler, despreza o papel da mobilização popular e joga todas as suas fichas na superioridade estritamente bélica para fazer uma guerra-relâmpago. Assim como Hitler acreditava na propaganda anticomunista ocidental, Trump crê piamente que o povo persa se levantará, sob o bombardeio e os crimes dos seus inimigos (dentre os quais avulta o bombardeio de uma escola primária de meninas, resultando em mais um evidente crime contra a humanidade perpetrado pelos imperialistas à luz do dia), contra o regime que cumpre o mínimo que se exige de qualquer Estado, seja de que classe for: a defesa do seu território legítimo (o que não se confunde com anexações, por óbvio). Esta aposta de Trump é comprovadamente falsa e dela derivam necessários erros de cálculo, de que a feroz e inteligente resistência do Irã é prova inequívoca.
Os que, neste momento, relativizam a defesa sagrada do Irã à autodefesa e não percebem que nesta fase da luta a questão de classe está subordinada à sobrevivência da nação como um todo, formam parte do pequeno punhado de traidores que merecem o repúdio e o castigo. Qual sorte terão o proletariado e as massas iranianas sob um regime lacaio de Estados Unidos e da entidade sionista? Estarão mais próximos, sob tal regime, do socialismo ou da escravidão? Quais as perspectivas de vitória da resistência palestina em caso de capitulação de Teerã? Por aí se vê que, na verdade, as questões sociais e nacionais estão ligadas entre si, sendo a subordinação daquelas a estas relativa e passageira ou, mais do que isso, apenas facetas distintas de uma única questão central, que é a luta contra o imperialismo agressor.

Adentramos no terreno da guerra mundial
Em resposta à agressão covarde e ilegal, o alto comando iraniano atacou Israel e diversas bases militares e navios norte-americanos na região. As bases militares dos EUA no Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arabia Saudita, Iraque, Catar, Jordânia e Síria foram alvejadas. Nelas, foram destruídos inúmeros equipamentos importantes. A base do Kuwait, em particular, foi riscada do mapa. O porta-aviões USS Abraham Lincoln, símbolo da arrogância imperial estadunidense, também foi atingido por mísseis iranianos. Números extraoficiais falam em 550 soldados ianques eliminados, embora oficialmente o comando estadunidense reconheça apenas quatro baixas. Oficiais da CIA também foram eliminados em Abu Dahbi. Para evitar mais perdas, seu pessoal técnico e militar evacuou das bases e opera desde hoteis, ou seja, fazendo da população civil o seu escudo humano. Bases do Reino Unido no Chipre também foram alvos dos mísseis iranianos. Diversas cidades no território palestino ocupado por Israel foram extensamente atacadas, e estão em chamas, tendo a sua população que passar longas horas no interior de abrigos. Instalações de petróleo da Arábia Saudita, Catar e outros estados títeres também foram atingidas. Trata-se de uma guerra regional em um ponto crítico da economia e da política mundial. Ou seja, de fato, já se trata de um conflito com repercussões mundiais, o que tenderá a se agravar nas próximas semanas. A China, que importa 40% do petróleo que atravessa o Estreito de Ormuz, assim como a Rússia, que depende da fabricação de drones e equipamentos militares iranianos para sustentar seu esforço de guerra na Ucrânia, não poderão ficar indiferentes aos acontecimentos.
Neste cálculo de agravamento da situação sionista-estadunidense também conta a sublevação das massas, razão pela qual as retrógradas monarquias do Golfo ainda são obrigadas a manter algum comedimento aparente no seu alinhamento com Trump e Netanyahu. Houve graves distúrbios nas embaixadas ianques na região, sendo os maiores confrontos verificados no Iraque e no Paquistão, onde dezenas de manifestantes foram assassinados. O Hezbollah, encorajado pela firme resposta iraniana, atacou o Norte de Israel desde o Líbano, revidando as diárias violações do cessar-fogo praticadas por Israel desde 2024. O próprio escritório de Netanyahu foi alvejado no centro de Telaviv, o que prova a ineficácia dos seus sistemas de defesa antiaérea contra o enxame de aço e fogo que vem do Irã. Na verdade, ao contrário do que pretendem os senhores da guerra imperialistas, a selvageria com que buscam saquear os povos oprimidos atiça seu espírito de resistência. Na sua política externa, o proletariado deve agarrar com firmeza a luta pela independência nacional contra o imperialismo, tanto quanto, em política interna, a bandeira das liberdades e direitos democráticos contra o fascismo.
Quanto aos aspectos econômicos, o preço do petróleo e do gás disparou e, ainda que não haja confirmação de fechamento definitivo, na prática o tráfego pelo Estreito de Ormuz (pelo qual escoa um quinto do petróleo mundial) já está gravemente limitado. O dólar sofre grave desvalorização e, o que é bastante sintomático, o ouro apresenta trajetória inversamente proporcional. As limitações no campo de batalha – por ora, aéreo e marítimo – tendem a acelerar o declínio do dólar como moeda mundial, pois este está sustentado desde o fim da conversibilidade dólar-ouro na força das armas estadunidenses; o declínio do dólar como moeda fictícia capaz de comprar riquezas reais, degradará a capacidade militar ianque. Enquanto o Irã usa drones que custam centenas de dólares para infligir danos às instalações dos seus inimigos, Israel e Estados Unidos são obrigados a mobilizar armamentos de milhões de dólares para interceptá-los. Embora gigantescas, as reservas dos Estados Unidos não são ilimitadas; as reservas de Israel já são limitadas e colapsarão em caso de prolongamento das hostilidades. Por vias aérea e marítima, os agressores podem impor perdas humanas incalculáveis ao povo iraniano, mas não vencê-lo; se se decidem pela invasão terrestre, abreviarão em décadas o seu próprio sepultamento.
As perdas militares e econômicas não deixarão de repercutir politicamente no interior dos Estados Unidos, com aumento da inflação e questionamentos às ações ilegais de Trump, que rasga a lei interna tanto quanto a lei internacional, ao declarar sucessivas guerras sem autorização do Congresso. No interior do seu próprio movimento fascista, MAGA, já surgem dissidências, que cobram sua promessa de não envolver os EUA em novas guerras no estrangeiro. Se o presente é de dor e sofrimento para as massas iranianas, palestinas e libanesas, vitimadas pela sanha assassina dos imperialistas, o futuro é de derrota certa para os imperialistas. A resistência iraniana, quanto mais dure, mais acelerará este processo, em essência, irreversível. Aqui se confirma o que não é uma passagem lírica, mas uma profunda síntese histórica, radicalmente científica, formulada pelo Presidente Mao: os imperialistas e todos os reacionários são tigres de papel!
Viva a heroica resistência iraniana!
Vivam os mísseis, foguetes e drones iranianos!
Morte aos imperialistas e seus lacaios!