Repostamos aqui este artigo, originalmente encontrado no Blog Luta de Duas Linhas, devido a importância da luta pelo Partido Comunista no estágio em que se encontra o movimento revolucionário de nosso país.
Camarada Vítor (Comitê Comunista Maoísta)
Julho de 2026
O blog Servir ao Povo publicou, em outubro de 2025, um artigo do revolucionário cubano Julio Antonio Mella, de 1926, intitulado “Pela criação de revolucionários profissionais”1. É curioso que sobre um tema que foi tão meticulosamente estudado pelos clássicos do comunismo científico – Marx, Engels, Lênin, Stalin e Mao –, os editores deste blog recorram a um documento dos primórdios do comunismo latino-americano. Na verdade, incapazes de elaboração própria, os gonzalistas envergonhados não fazem mais do que reproduzir um passadismo acrítico, que em nada se assemelha ao método dialético de aprender da experiência histórica a fim de superá-la, no duplo sentido que a palavra abriga, qual seja, de preservação e de negação2.
É certo que a formulação de que os comunistas devem erigir uma organização conspirativa, sólida e estável, composta por revolucionários profissionais, está no cerne da concepção leninista do partido de novo tipo. Entretanto, que tipo de partido é este – um partido com base proletária, ou uma seita conspirativa sem lastro no movimento operário – e que tipo de revolucionários profissionais são estes (dirigentes experimentados do movimento prático ou uma casta de elementos desclassificados sem nenhum contato com os trabalhadores) é o que indicará não apenas a capacidade de combate desta organização, mas também o seu caráter de classe. Um corpo de funcionários remunerados, agrupados em torno de um centro político dirigente, será um partido, mas não, decerto, um partido comunista. Aqui, não é apenas uma questão de formas organizativas, mas de conteúdo político, e o conteúdo se impõe e determina a forma em última instância.
A respeito destes pontos, o texto de Mella é de uma infelicidade e incompreensão gritantes, talvez inevitáveis na infância do movimento comunista latino-americano há cem anos, mas completamente imprestáveis no princípio do século XXI. Logo no início, Mella (e seus tradutores do blog Servir ao Povo, que subscrevem o texto sem ressalvas) afirma que:
Junto ao mineiro, ao sábio inventor, ao eletricista, ao pedagogo, ao ferroviário, se encontra, sem dúvida alguma, o revolucionário. Ora é um Graco, ora um Espártaco, ora um Marat, ora um Robespierre, ora um Bolívar, ora um Marx, ora um Lenin, ora um Sun Yat Sen… Libertador de escravos, impulsionador da revolução agrária, libertador da burguesia do jugo feudal ou do proletariado do jugo burguês, sua tarefa, seu ofício, sua profissão, é a mesma, ainda que o cenário seja diferente.
Isto é de um anacronismo primário, reiteramos, desculpável num contexto em que o marxismo mal se popularizava em nosso continente, mas imperdoável como material considerado apto a ser transmitido sem ressalvas às novas gerações. Porque, em primeiro lugar, a divisão dos ofícios em especialidades é uma criação da indústria moderna, totalmente estranha a Graco ou Espártaco; e porque, em segundo lugar, há uma diferença enorme entre a profissão de mineiro ou pedagogo e a profissão de revolucionário, criação ainda mais recente, do princípio do século XX. É claro que a própria concepção de partido comunista se desenvolveu historicamente – no interior da formulação de Lênin, parcialmente reformulada por Stalin e superada pelo PCCh3 –, mas do que se trata aqui é de algo básico e imutável: o revolucionário profissional não é um santo sem base material, mas um quadro político forjado no seio da luta proletária. Sem excluir o papel dos intelectuais, é sobretudo as lideranças operárias que Lênin pretende converter em dirigentes profissionais do movimento revolucionário, como fica claro em seu “Carta a um camarada”:
O comitê do POSDR deve ser único, e nele devem estar social-democratas plenamente conscientes, dedicados inteiramente à ação social-democrata. É necessário esforçar-se de modo especial para conseguir que cheguem a ser revolucionários plenamente conscientes, profissionais e entrem no comitê o maior número possível de operários. (…) Para dirigir tudo aquilo que acontece no meio operário, é necessário ter a possibilidade de estar em todas as partes, é necessário conhecer muita gente, ter todos os caminhos etc. Por essa razão, deverão estar no comitê todos os principais chefes do movimento operário oriundos da própria classe operária, o comitê deverá dirigir todos os aspectos do movimento local, chefiar todos os organismos, todas as forças e todos os meios locais do partido.4
Nada mais distante da concepção leninista de partido do que a ideia de que este fique encerrado entre quatro paredes, ou de que seus componentes sejam pessoas sem trajetória e lastro na luta social em geral, e na luta proletária em particular. Este seria simplesmente o despotismo da pequena-burguesia radicalizada sobre os operários, como Mao denunciou de maneira mordaz durante a campanha de retificação de 1942-19435.
Isto não se confunde com o obreirismo, isto é, a ideia unilateral de que apenas operários possam participar ou dirigir o partido. Mas mesmo os intelectuais que assomam ao movimento – e no seu estágio inicial, quando a revolução vindoura não é mais do que um sonho distante, é natural que os intelectuais constituam uma parcela significativa do partido – devem ter como compromisso ligar-se às massas trabalhadoras, do que foi um exemplo o próprio Lênin, seja nos círculos proletários de São Petersburgo, seja durante o exílio na Sibéria, quando se valia da condição de advogado para estabelecer relações com os camponeses.
Na verdade, o revolucionário profissional de que fala Mella em seu artigo não é este combatente forjado na luta de massas, mas uma espécie de herói saído da literatura romântica. Ele diz, por exemplo: “A principal característica do revolucionário é sua compreensão absoluta e sua identificação total com a causa que defende.” E, adiante: “O revolucionário profissional, se é marxista, por exemplo, sabe aplicar o marxismo a todos os problemas.”
O que seria compreensão absoluta e identificação total da causa? Certamente, Mao não concordaria com isso a respeito de si mesmo. No já mencionado trabalho de 1942, “Retifiquemos o estilo de trabalho no Partido”, ele disse, a respeito da transformação ideológica:
Os quadros vindos do exterior conhecem sempre menos as condições locais e estão menos ligados às massas que os quadros locais. É, aliás, o meu próprio caso. Eu já estou no norte do Xensi há uns cinco a seis anos, e mesmo assim conheço bem menos a situação e estou muito menos ligado à população que os camaradas da região. Os camaradas que forem para as bases anti-japonesas do Xansi, Hopei, Xantum e outras províncias, deverão pensar seriamente nisso6.
O que é incrível é que Mella advoga essas idealistas “compreensão absoluta” e “identificação total” não apenas para os altos dirigentes, mas mesmo para qualquer membro do partido! Aqui, ao contrário do partido de vanguarda que tem um caráter de massas – que é constituído pelas melhores lideranças oriundas da luta popular, cuja transformação ideológica dos seus membros é permanente e se assegura através do processo coletivo da luta de duas linhas -, o que se tem é a visão do revolucionário individual que se converte, não se sabe de que modo, em um santo e herói. É o que se diz no texto:
Não há um homem em todo século tão insultado quanto Lenin. Também não há outro homem que tenha se aproximado da genialidade, da santidade e do heroísmo eticamente considerados, que o grande condutor da III Internacional.
Esta é uma visão ingênua e idealista do processo histórico do qual emergem o partido e os seus dirigentes. Sabemos que Lênin não era um gênio ou um santo, mas o produto genuíno de uma longa tradição política, científica e literária revolucionária russa. A ideia de que os gênios fazem a história é contrária à concepção marxista de que são as massas que fazem a história. A esse respeito, aliás, é necessário sublinhar que enquanto viveu, Lênin não permitiu jamais um culto público organizado em torno da sua figura. A fonte filosófica deste individualismo revolucionário é o pensamento nitzcheano do super-homem, o que é confessado pelo autor:
Reconhece [o revolucionário profissional] o infinito da obra humana. Compreende como o Zaratustra o sentido da terra. É santo dessa terra, herói desses homens e gênio das pequenices do momento. Não aspira o ‘transcendentalismo’. Tem orgulho de ser ponte para que os demais avancem sobre ele. Provavelmente não acreditará no super-homem nietzscheano. Mas reconhece o progresso que existe desde a ameba ao macaco até o homem. Da mesma maneira, o materialismo histórico o ensinou a transformação do feudal ao burguês, e deste ao proletário.
Ora, Nietzche, como sabemos, é o filósofo da burguesia decadente, desiludida com as promessas de igualdade do seu período revolucionário; é a manifestação filosófica da sua conversão em uma classe irremediavelmente reacionária e imperialista. Sua crítica à religião em geral e ao cristianismo em particular– que ainda hoje confunde certas pessoas, fazendo-o passar por materialista – é uma crítica à direita, aos aspectos progressistas daquela doutrina, desprezada por ele como uma concepção de escravos. Não poderia haver nada mais distante da concepção materialista da história do que a visão radicalmente aristocrática do filósofo reacionário alemão. Se se lê o texto de Mella, ele afirma implicitamente: há um progresso da ameba ao macaco, deste ao homem; do feudal ao burguês, do burguês ao proletário e do proletário… ao revolucionário profissional. É uma visão linear, positivista e profundamente idealista da atividade revolucionária. Esta, aliás, não visa coisas tão metafísicas e imponderáveis como o “infinito da obra humana”, mas possui um caráter de classe bem determinado. Adiante, diz Mella:
Pode [o revolucionário profissional] morrer na forca, no suplício, reviver os sanguinarismos do Circo. Aceita tudo com a mesma naturalidade que o jogador de bolas aceitas seu salário: é sua profissão e nada mais.
Esta também é uma comparação extremamente vulgar, que confunde a atividade consciente e livre com o mero fatalismo inerente ao trabalho alienado. Não, o comunista não “aceita” a forca e o suplício porque esta é a sua profissão e nada mais, e sim porque tem a convicção de que a vitória sobre os algozes será finalmente conquistada com o esforço organizado da classe a que pertence. Se os operários “aceitam” a mutilação, por exemplo, como um destino inevitável, isso expressa um estado da sua visão de mundo que antecede a aquisição da consciência de classe, e de todo modo para um trabalhador comum sua atividade não é mais do que um meio de vida, que ele suporta por não ter outra alternativa. O que diferencia de maneira radical e irredutível a atividade revolucionária de qualquer outra é que nela o trabalho não é um meio de vida, senão a primeira necessidade vital. Até porque, ao revolucionário profissional, o sacrifício não se faz em troca de um salário: profissional é, em primeiro lugar, sua atitude e disciplina perante as tarefas revolucionárias, a prioridade que dedica à atividade de partido, ainda que tenha que passar fome. Aquele que aceita aquilo que lhe mandam em troca de um salário, pois, afinal, “é o seu trabalho”, sem refletir sobre o conteúdo da sua atividade, age como um mercenário e não como um comunista.
Aqui, há outro ponto interessante. É bastante sintomático que os editores do blog Servir ao Povo reduzam e rebaixem a condição de revolucionário profissional à mera atividade política feita em troca de um salário. Se estudamos com atenção a crítica de Lênin à bancarrota da II Internacional, veremos que ele acusa a existência de uma casta de funcionários do movimento operário, desvinculados do conjunto da classe, como uma das fontes do revisionismo:
Antes da guerra, o oportunismo — considerando a Europa como um todo — estava, por assim dizer, na sua adolescência. Com a guerra, atingiu a plena maturidade, e a sua ‘inocência’ e juventude já não podem ser recuperadas. Amadureceu toda uma camada social de parlamentares, jornalistas, dirigentes do movimento operário, funcionários privilegiados e certos setores do proletariado — uma camada que se fundiu com a sua burguesia nacional, a qual soube valorizá-la pelo seu verdadeiro mérito e ‘adaptá-la’. É impossível voltar atrás ou deter a roda da história; mas o que se pode e deve fazer é avançar destemidamente e passar das organizações preparatórias e legais da classe trabalhadora — mantidas cativas pelo oportunismo — para organizações revolucionárias do proletariado que saibam não se limitar à legalidade, que saibam proteger-se da traição oportunista; para organizações revolucionárias do proletariado que empreende a ‘luta pelo poder’, pela derrubada da burguesia.7
Claro, esta burocracia, ainda que operária de origem, não se identifica com o proletariado, tanto porque a) a maioria, senão a totalidade dos seus membros, não participa da produção, quanto porque b) passa a ter como fim da sua atividade política a defesa do aparato do qual depende, quando o partido revolucionário e as organizações a ele subordinadas são meios para se obter um fim político. Evidentemente, tal aparato, que vive das migalhas da extração da mais-valia (seja através das contribuições sindicais, fundo partidário ou outros semelhantes), desapareceria junto com a legalidade burguesa. Este não seria um partido de revolucionários profissionais, mas de funcionários profissionais, dispostos a implementar qualquer política e a justificar qualquer torpeza apenas para preservar o seu estilo de vida ligeiramente melhor que o do conjunto do proletariado. Isto, para não falar da instrumentalização dos salários como método de enquadrar, ou eventualmente cooptar, os quadros do partido.
Voltando à Mella, não há partido na sua formulação. Ele diz, com efeito: “É a profissão sem concorrência, a profissão triunfante, a profissão que todo homem honrado deve desempenhar.” Ora, se todo homem honrado deve desempenhar esta profissão, então não há diferença entre partido e classe, entre vanguarda e massas. Ou os operários que não ingressam no partido são todos desonrados? Nesta concepção, na luta revolucionária só há a vanguarda, ou seja, não há vanguarda.
É realmente incrível que uma organização supostamente madura desenterre um documento deste tipo, que possui apenas utilidade histórica, na medida em que revela um estágio ultrapassado do movimento proletário. No caso cubano, seria talvez injusto dizer que o texto de Mella não tenha tido nenhuma relevância, uma vez que se nota aí algo em comum com o foquismo, ou seja, a ideia de que a revolução é obra de um punhado de especialistas, políticos ou militares. Seja como for, esta exumação é na verdade bastante reveladora da concepção de partido caduca, pútrida, que têm os editores do blog Servir ao Povo e da Fração Dogmato-Revisionista autoproclamada P.C.B. do qual são porta-vozes oficiosos, também eles defensores de um foquismo como concepção de mundo, um foquismo sem heróis e sem glórias, enfim, um foquismo desarmado.
Embora este não seja o espaço para nos prolongarmos sobre os aspectos positivos da nossa concepção de partido8, assinalamos sinteticamente que: 1) em primeiro lugar, o partido se reúne em torno da teoria revolucionária, de uma correta elaboração não só de “por onde começar”, mas também de “aonde ir”; 2) este núcleo inicial deve intervir de modo ativo na luta popular, nas três esferas assinaladas por Engels e Lênin: teórica, política e econômica; 3) não importa o quão exíguos sejam os meios disponíveis, deve-se atuar desde o princípio como partido, isto é, um conjunto de militantes subordinados ao Programa, ligados às massas e assentado no centralismo democrático; 4) no curso dessa intervenção, é necessário recrutar os elementos mais destacados, comprometidos e estáveis das massas à organização de vanguarda, e 5) apoiar-se nas massas para erigir passo a passo, mas de maneira incansável, um aparato organizativo que dê sustentação à direção política, capaz de manejar todas as formas de luta. O desenvolvimento da estrutura orgânica será consequência da linha justa e do trabalho de massas, e no princípio o comunista deve estar disposto a trabalhar sem receber nada em troca e sem contar com nenhum suporte além do político e da solidariedade comunista, assim como ocorre com o guerrilheiro nos estágios iniciais da luta armada. As dificuldades e perigos desta tarefa – e, no capitalismo, o maior perigo será sempre o de acomodação e corrupção à legalidade burguesa –, são proporcionais à própria importância da sua realização9. Afinal, resolver o problema do partido equivale a resolver o problema da revolução.
Seja como for, é certo que se a linha ideológico-política for justa, assentada no marxismo-leninismo-maoismo, esta organização abrirá caminho, uma vez que o partido não é uma ideia arbitrária, mas uma necessidade histórica, e a definição de necessidade no marxismo não é senão aquilo que abre caminho a despeito (e através) das contingências. O que não se pode fazer é teorizar a debilidade e nem transigir em questões de princípios.
1 Link em: https://serviraopovo.com.br/2025/10/09/pela-criacao-de-revolucionarios-profissionais-julio-a-mella-1926/, acessado em 27/06/2026, às 12h44.
2 O Presidente Mao dizia que os dogmáticos são preguiçosos. Com efeito, embora pareçam se gabar da sua condição, não houve nem um dentre os inúmeros “revolucionários profissionais” ligados aos gonzalistas envergonhados que se dignou a escrever uma introdução, ao menos informando ao público porque se traduziu este texto, quais aspectos se quer ressaltar, contra quem ele se volta etc. Eles exemplificam bem, neste e em muitos casos, ainda que pela negativa, as inúmeras lições de Mao.
3 “Desde o momento em que Mao assume a liderança do PCCh, se esforça ao máximo para desenvolver o Partido em linhas verdadeiramente leninistas. Devido ao predomínio das anteriores linhas incorretas, em particular a terceira linha oportunista de ‘esquerda’ de Wang Ming, houve vários desvios no funcionamento do Partido. Devido à compreensão sectária, não havia normas de centralismo democrático em funcionamento e sim um enfoque totalmente equivocado da luta de duas linhas. Tomavam-se decisões sem consultar, sem a participação dos quadros do Partido e manipulando as sessões plenárias e outras reuniões. A luta de duas linhas não se levou a cabo de maneira aberta e muitos representantes de outros pontos de vista foram acossados e castigados. Devido ao dogmatismo, não havia aplicação da linha de massas. Mao tentou tudo para corrigir estes desvios, também construir fóruns e órgãos adequados. No processo, Mao também esclareceu e desenvolveu muitos conceitos de organização. Também tratou de corrigir compreensões errôneas que haviam crescido dentro do movimento comunista internacional e também no PCUS sob a direção de Stalin.” Curso básico do marxismo-leninismo-maoismo, Partido Comunista da Índia (Maoista). Seria, portanto, um engano dizer que a concepção de partido de Mao é uma mera continuidade da concepção da Cominter. Na verdade, a revolucionarização da teoria do partido é um dos saltos dados na etapa maoista do marxismo-leninismo.
4 Carta a um camarada sobre problemas de organização, V.I. Lênin, setembro de 1902. Link em: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1902/09/carta.htm.
5 “Com efeito, é fácil para os dogmáticos darem-se ares de marxistas, para assombrar, para subjugar e pôr a seu serviço os quadros de origem operária e camponesa, que não podem facil mente descobrir-lhes a verdadeira natureza. Eles podem igualmente assombrar e subjugar a juventude ingênua e inexperiente”. Retifiquemos o estilo de trabalho no Partido, Mao: obras escolhidas, Tomo III, 1942.
6 Idem.
7 A bancarrota da II Internacional, Lênin, 1915.
8Em breve publicaremos um documento intitulado: “Que fazer no século XXI? A luta pelo Partido Comunista na atualidade”, que examina de modo mais exaustivo esse tema, do ponto de vista orgânico-ideológico.
9 A destacada sufragista e, posteriormente, fundadora do comunismo britânico, Silvya Punkhurst, um dos alvos da crítica de Lênin contra o esquerdismo, relata a crítica deste aos que se recusavam a empreender a luta democrática e legal, por medo de verem o partido corrompido: “Quando se argumenta, porém, que os comunistas não devem entrar nos partidos trabalhistas reformistas ou nos parlamentos burgueses porque podem acabar sendo influenciados pelo ambiente e perdendo a pureza de sua fé e fervor comunista, Lênin responde que a tentação de fraquejar nos princípios será muito maior após a conquista proletária do poder. Ele diz que aqueles que não conseguirem manter-se firmes em todos os testes antes da revolução, certamente não se manterão depois dela. Ele defende que se enfrente toda dificuldade do tipo, ao invés de contorná-las: ele defende lançar as polêmicas comunistas em praça pública, e não encerrá-las em círculos seletos de entusiastas”.A Rússia Soviética que vi em 1920: o Congresso no Kremlin. Sylvia Pankhurst, 16 de abril de 1921, disponível em: https://www.marxists.org/portugues/pankhurst/1921/04/16.htm. O perigo da corrupção no estágio de acúmulo de forças é real, e tem no fracasso dos gonzalistas envergonhados brasileiros mais um dentre seus inúmeros exemplos. Fingir que o problema não existe, ou substituir seu enfrentamento prático pelas frases de efeito, é a maneira mais segura de ver-se tragado por ele.