Produzir e divulgar arte, literatura, cultura no geral, é algo que está dentro do escopo das funções da Universidade, acreditamos que a comunidade acadêmica como um todo esteja de acordo sobre isso, o problema é que parece que a burocracia universitária não concorda.
Desde 2024, realizar uma festa na UFF é quase impossível devido aos inúmeros requisitos burocráticos. Saraus e festivais de arte são frequentemente barrados com desculpas esfarrapadas de “som alto”. Reservar uma sala pra exibir um filme requer mil autorizações e assinaturas diferentes. Desenhos nas paredes e nas pilastras dos “pilotis” são apagados o tempo todo. Tudo isso para manter “limpa” a Universidade, “limpa” de que? De quem? Dos estudantes, da arte, da cultura.
Na UERJ, a banquinha da Palestina foi proíbida, assim como a nossa. Parece que se tornou proíbido difundir política e literatura na Universidade e ninguém, além de uns seguranças truculentos, nos avisou. Na UFRRJ (Rural), recentemente, foi proíbido fazer festa dentro do campus, é proíbido o lazer, se divertir, celebrar, se expressar.
Quando foi que a Universidade se tornou um espaço única e exclusivamente para ter aula e ir pra casa? Um espaço onde a política, quando não é censurada, é relegada ao segundo ou terceiro plano? A extrema-direita ataca as pichações, as festas, a propaganda política, a burocracia universitária parece concordar com eles. Manifestações políticas e artísticas fazem parte de uma formação na Universidade Pública tanto quanto a carga horária dos cursos e o direito a essa livre manifestação é tão importante quanto qualquer outro direito relacionado ao ensino, e devemos re-conquistar nosso espaço na marra!
Para os estudantes só resta uma saída: fazer sem autorização, organizar festas na surdina, pichar as paredes, difundir a literatura revolucionária, fazer propaganda política, de novo, de novo e de novo, vencer eles no cansaço. Paredes brancas e som “limpo” são sinônimos de um povo amordaçado! Nunca pedimos permissão para colar cartaz, não vai ser agora que vamos fazer, se nos proíbem de nos expressarmos, então faremos ainda mais, se tentam amansar nossa revolta, então vamos nos revoltar ainda mais, simples assim.
UFF – 28 de agosto, 2026