A maior e “melhor” Universidade da América Latina segue com sua política de permanência estudantil sendo sucateada. O CRUSP, moradia da USP, é alvo predileto da repressão estudantil desde a época da ditadura, e ao mesmo tempo essencial para a permanência de diversos estudantes em situação de vulnerabilidade social. Encontra-se hoje em estado de abandono, com alojamentos mofados. Diversos blocos sequer possuem cozinha funcional. Inclusive, este ano os moradores da CRUSP ficaram 4 dias sem água. Para piorar ainda mais essa situação não é incomum o despejo destes estudantes, realizado de forma violenta, como no caso recente de 11 mães que foram despejadas do CRUSP. Diante da Greve estudantil aprovada há cerca de 2 semanas atrás, os estudantes reinvindicam a reforma de todos os prédios do CRUSP e a devolução dos bloco K e L – tomados pela reitoria.
Sendo a última Universidade do Brasil a aprovar e lei de cotas, a USP sofre com uma política de assistência estudantil “para inglês ver”, na medida que não garante a permanência dos estudantes mais pobres que são muitas vezes, aqueles ingressantes pela política de cotas.
OS RUMOS DA GREVE
Na mesa de negociações com os grevistas do dia 28/04 e do dia 30/4 foram aprovadas poucas melhorias. Houve a implementação de ônibus circular 8085 sem catracas; A contratação de apenas 6 novos postos de trabalho no Bandejão central e garantia de proteína (ainda desconhecida) no café da manhã. Para além disso, foram anunciados um montante de GTs- grupos de trabalho- para a questão da minuta e das Cotas trans e indígena e para discutir a minuta dos espaços estudantis.
Para as questões de permanência, o PAPFE e o CRUSP: NADA! A cômica proposta da REItoria é do aumento de 27 reais para o PAPFE integral. Para o CRUSP, a reitoria “propôs” uma reforma dos elevadores, do qual não é novidade e já estava em andamento. Queremos um PAPFE integral equivalênte ao salário mínimo e igualmente importante o aumento do PAPFE parcial!
Ainda estamos distante de conquistar tudo que necessitamos, e por isso devemos seguir em frente na mobilização, nos piquetes, ocupações e nas atividades da greve.
Formulário de mapeamento político: Denuncie!
A REItoria, no dia 22/4, enviou aos diretores de unidade um formulário sobre o percentual de adesão a greve, visando mapear estudantes e funcionários em greve. São pedidos dados sobre as assembleias, piquetes, mobilizações. Convocamos todos os estudantes a DENUNCIAR essa prática de REItoria e igualmente os diretores de unidade em conformidade com essa prática policialesca. Lutar não é crime!
Memória da combativa ocupação da reitoria de 2011

Nesse momento da Greve Estudantil da USP, é importante nos lembrarmos e mantermos viva a rica tradição do movimento estudantil combativo dessa universidade. A Ocupação da Reitoria de 2011, ocorreu após os estudantes conseguirem passar por cima do burocratismo do DCE da época. A assembleia dos estudantes aprovou a ocupação do prédio contra a detenção de 3 estudantes por um policial dentro da Universidade. Nessa época, a USP estava negociando com o Governo de SP para implementar o atual posto da PM dentro da Universidade. Após ocupar, os estudantes mantiveram suas cabeças e erguidas e não se intimidaram, nem mesmo com os cortes de água e luz feitos pelo reitor contra o prédio na época. Com a reitegração de posse expedida, as 5h da manhã o CRUSP e o prédio da reitoria foram cercados por cerca de 400 soldados do Batalhão de Choque, que de maneira extremamente violenta e ilegal, detiveram mais de 70 estudantes. Além da prisão arbitrária houveram denúncias de tortura e humilhações sofridas pelas estudantes com a ação da polícia. Mesmo depois disso, os estudantes deflagraram uma greve histórica que passou o final de 2011 até o início de 2012 mobilizada!

Fora PM do campus!
Viva a luta combativa, independente e sem ilusões!
Rebelar-se é Justo!
Política de cotas sem política de permanência é ilusão!
Por um aumento digno do PAPFE e Reforma no CRUSP JÁ!